A semana que passou foi rica em declarações infelizes mas, o pior é que essas declarações traduzem uma maneira de pensar e até de agir.
Um conceituado banqueiro da nossa praça, portanto um homem cheio de responsabilidades, para tentar explicar uma sua frase dita há já algum tempo sobre se os portugueses podiam aguentar mais austeridade ao que ele afirmara “aguentam, aguentam”, vem agora reforçar o seu pensamento afirmando que os portugueses aguentam muito mais porque os sem abrigo também aguentam. O modelo que este banqueiro enriquecido defende para o Portugal do século XXI é uma sociedade sem abrigo, a viver de esmolas sabe Deus de quem porque se toda a gente chegar a sem abrigo ninguém pode acudir. Uma sociedade sem abrigo com a banca de fora e meia dúzia de privilegiados. E faz estas declarações precisamente no mesmo dia em que publica os resultados extremamente lucrativos alcançados pelo banco que dirige. Com tamanha mentalidade o que há de esperar da banca portuguesa? Esquece-se esse senhor que o inicio da crise em que se mergulhou, não apenas em Portugal mas no mundo, teve a sua origem exatamente no sector financeiro, a que a banca pertence, devido às especulações e aos produtos tóxicos que foram postos em prática e circulação.
É evidente que tais declarações indignaram os portugueses em geral, sobretudo aqueles que se debatem com situações mais difíceis, como os desempregados, os idosos, os reformados considerados pelo executivo como o inimigo a abater. Até os políticos comentaram e repudiaram mas o governo não. Espantoso!
Outra frase infeliz foi o primeiro-ministro dizer que a remodelação que iria fazer de pequenos ajustes nos secretários de estado não tinha dignidade politica para comunicação. De facto foi uma mini remodelação em que tudo fica na mesma mas, apesar de tudo, acho que os nomeados têm direito à dignidade de passarem a pertencer ao governo. Ou não será assim?
O caso BPN/SLN ainda não está devidamente esclarecido e os portugueses têm direito a esse esclarecimento, tanto mais que são eles quem está a pagar os desmandos ocorridos e que envolveram políticos de renome, antigos governantes, membros do Conselho de Estado que enriqueceram à custa do contribuinte e que continuam impávidos e serenos nas suas vidas de ricos sem sequer serem incomodados pela justiça. Seria do mais elementar bom senso, enquanto o caso não estiver devidamente esclarecido, não nomear para o governo um dos administradores do BPN/SLN por mais alheio que possa parecer, o que não é o caso, a todo o processo, mas tal não aconteceu. Um dos secretários de estado agora nomeado é precisamente um administrador da SLN na altura em que rebentou o escândalo. Espantoso!
Segundo a lei vigente, os presidentes de Câmara Municipal e das Juntas de Freguesia não podem candidatar-se depois de completados três mandatos seguidos. Porém, o que se verifica atualmente é que se vão candidatar no concelho ao lado, como acontece com os candidatos do PSD a Lisboa e ao Porto o que, em meu entender, é contrário ao objetivo da própria lei. E como eu pensa muita gente, à esquerda e à direita, realçando, de uma maneira especial, o eurodeputado Paulo Rangel que foi um dos negociadores da referida lei. Igualmente espantoso!
4 de fevereiro de 2013
Maria Valentina da Silveira-Machado
O Regicidio
O REGICIDIO
Passou no dia 1b do corrente mês mais um aniversário da maior vergonha da nossa História: o assassinato de El-Rei Dom Carlos I e de seu Filho o Príncipe Herdeiro Dom Luís Filipe. Vergonha pelo ato em si, vergonha pelo facto de tão horrendo crime não ter sido julgado e condenado, vergonha por se enaltecerem os implicados materiais e morais de tão hediondo ato, praticado pela Carbonária, braço armado da Maçonaria.
A Republica foi imposta pela força das armas e não por um ato democrático, através de um plebiscito, como aconteceu mais tarde noutros países. Logo, foi uma ofensa à liberdade. Aliás, nos seus mais de 100 anos a Republica nunca foi referendada.
Nos quase 16 anos que durou a 1ª Republica, deteriorou-se por completo a situação económica e social do País e cometeram-se desmandos que durante a Monarquia Constitucional eram impensáveis. Durante este período sucederam-se, a um ritmo vertiginoso, os governos e em 1918 acabaram por abater a tiro o Presidente Sidónio Pais. De recordar, ainda neste período, a noite negra de 19 de outubro em que dezenas de chefes políticos foram assassinados. Não pretendo dizer que a 1ª Republica não tenha tido homens de valor e empenhados na causa publica mas também não é de esquecer que foi completamente anulada a liberdade religiosa e que a Igreja Católica e os cristãos sofreram perseguições terríveis. Curiosamente, é nesse espaço de tempo que Nossa Senhora aparece em Fátima.
Em 1926, através de um golpe militar, é derrubada a 1ª Republica a que se segue uma ditadura militar que dura cerca de cinco anos, até à institucionalização do Estado Novo ( 2ª Republica) pela Constituição de 1933. Como se sabe, esta durou até 1974 e foi caracterizada pela limitação das liberdades a todos aqueles que não estivessem com o governo e com o partido único, pela existência de uma duríssima policia politica. As contas publicas foram recuperadas e regularizadas mas a situação social continuou a ser grave.
Em 1974, também por um golpe militar, é estabelecida a 3ª Republica em que vivemos, em que se progrediu em várias coisas, mas em que se regrediu em muitas outras, se instalou uma corrupção generalizada que, entre outas, é uma das causas da situação que vivemos hoje.
Pergunta-se: Até quando vamos sofrer tudo isto? Para quando a assunção do regicídio como um crime hediondo? Para quando o renascimento de Portugal?
4 de fevereiro de 2013
Maria Valentina da Silveira-Machado
Condolências
Em nome da CNAF – Confederação Nacional das Associações de Família e no meu próprio vimos apresentar com o maior desgosto as nossas sentidas condolências à Conferência Episcopal da Polónia, ao seu Presidente e a todos os cristãos polacos pela perda do seu Ilustre Pastor, Sua Eminência o Cardeal Primaz Emérito Dom Jósef Glemp com quem tivemos o privilégio de trabalhar nos tempos difíceis da ditadura na Polónia. Não posso deixar de lembrar que foi Sua Eminência o Cardeal Glemp que promoveu o nosso encontro com Lech Walesa e com outros patriotas, não só resistentes contra o Regime mas militantes da Causa da Família.
A Sua Eminência o Cardeal Kazimierz Nycz, Arcebispo de Varsóvia , as famílias de Portugal manifestam a sua unidade à dor da Igreja da Polónia e rezam pelo eterno descanso de um grande Apostolo da Família e Amigo de Portugal.
Maria Teresa da Costa Macedo
Actualizado em Terça, 29 Janeiro 2013 13:55
O regresso aos mercados
O REGRESSO AOS MERCADOS
O governo conseguiu o seu objetivo primordial – regressou aos mercados. Foi sem duvida uma vitória da credibilidade externa de Vítor Gaspar, para o que contribuíram factos alheios ao governo e a Portugal, como sejam as alterações no BCE e a politica relativa à Grécia, que favoreceram esse regresso, ainda que incipiente, mas antes do tempo previsto.
Não chega para se embandeirar em arco convencidos de que o pior já passou. Como disse João Almeida deputado do CDS-PP é preciso que tal facto se reflita na vida dos portugueses, das famílias e das empresas favorecendo a criação de emprego pois, caso contrário, não vale a pena ir aos mercados. Regressar aos mercados é um meio e não um fim.
Também foi positivo o alargamento do prazo para pagamento da divida, portuguesa o que representa uma renegociação como, há muito, vozes acreditadas da politica e economia nacionais vinham reclamando e exigindo. Mas também este facto tem de ter repercussões na vida dos portugueses pois toda a politica deve servir as pessoas, as famílias e as empresas, enquanto geradoras de economia e empego, e não objetivos meramente financeiros.
O mês de fevereiro vai ser horrível para os portugueses em geral e para os reformados em particular pois, como se não bastassem os cortes e sobretaxas que lhes são impostas mensalmente, serão retiradas as respetivas quantias em duplicado, para cobrir aquilo que não foi feito em janeiro, não por culpa dos visados mas por inoperância do Estado. Se houvesse um mínimo de sensibilidade social e de respeito pelas pessoas, algumas das quais idosas e com acrescidas despesas de farmácia, a parte respeitante ao mês de janeiro seria dividida proporcionalmente pelos restantes mesos do ano.
Além do mais ainda se não sabe concretamente o que se vai receber pois as tabelas de IRS são diferentes, ignorando-se qual vai ser a retenção na fonte, e, no caso de incapacitados, qual vai ser a respetiva retenção , bem como o valor real da sobretaxa e da taxa de solidariedade que castiga os reformados.
Dantes, no inicio do ano, era enviada aos reformados da Administração Publica, uma carta da Caixa Geral de Aposentações em que se comunicava ao pensionista o valor bruto da pensão, os respetivos descontos, e a importância que seria paga.
Dantes, os reformados eram considerados um valor nacional; agora procura-se pôr os jovens contra os idosos , o sector publico contra o privado, numa lógica de dividir para reinar. Onde fica a coesão nacional e geracional?
Já uma vez tive ocasião de referir aqui a discriminação a que os reformados portugueses estão sujeitos e de fazer a comparação com o que se passa na vizinha Espanha, em que não só não reduziram o valor das pensões como foram as únicas que tiveram aumento para o ano em curso.
Aliás, todos os constitucionalistas portugueses são unânimes em considerar que o que consta do OE2013 sobre os reformados, é inconstitucional.
Aguarda-se o acórdão do Tribunal Constitucional com serenidade apesar das muitas tentativas de pressão que têm sido feitas.