A semana passada referi ser um erro politico nomear para o governo alguém que tivesse estado ligado ao BPN/SLN. Hoje, ouvido o parlamento, o próprio nomeado e a boa reportagem da SIC, reafirmo o que escrevi.
De facto, o caso BPN/SLN é um caso de fraude financeira com graves consequências para os portugueses, como jamais houve outra, e ainda por cima com uma total impunidade para os intervenientes.
Ainda recentemente o governo injetou nas empresas que geram o lixo tóxico do BPN mais de mil milhões de euros. Até agora já lá vão, cerca de quatro mil milhões de euros, importância que se assemelha à que o governo pretende cortar na despesa do Estado, cuja maior fatia é precisamente no Estado Social, o que significa que o contribuinte português já pagou duas vezes. Acresce porém que, ao que parece, o buraco ainda vai chegar perto dos sete mil milhões.
Como demonstrou a reportagem da SIC, o BPN/SLN era uma sociedade de amigos, ligados a partidos políticos e daí talvez se compreenda as razões reais porque e como foi nacionalizado, mantido no Estado, e reprivatizado com manifesto prejuízo do interesse publico. A SLN deu origem à Galilei mas quem paga a fatura dos tóxicos é o povo português.
Como tudo isto foi possível num Estado de Direito é incompreensível, a não ser pelo facto de se tratar de gente ligada ao poder político e financeiro, gozando de impunidade.
Entretanto as famílias portuguesas sofrem, e de que maneira, lutando por sobreviver, não tendo dinheiro para pagamento das despesas mais rudimentares como, por exemplo, alimentação, farmácia e renda de casa.
Certamente, como consequência da situação angustiante em que o País vive, sufocado por uma austeridade que se não aguenta, está a despontar um fenómeno novo que é o suicídio familiar; mães que matam os filhos e depois se matam a si próprias, chefes de família que matam a mulher e os filhos e depois põem fim às próprias vidas, nalguns casos deixando revelado que tal ato foi cometido para evitar mais sofrimentos na vida de aflição que já viviam.
E ainda há quem diga “aguentam, aguentam”…. Com o ordenado de quem isto afirma, é claro que se aguenta.
Mas quem vai ver, neste mês de fevereiro, os seus proventos extremamente reduzidos, mercê dos impostos que foram lançados sobre os contribuintes para pagarem o caso BPN/SLN e outros similares, para os quais não contribuíram e não sabem muito bem como podem sobreviver, sentem-se revoltados.
Com tudo isto, é caso para perguntar. De buraco em buraco até à vala comum? É esse o nosso futuro como povo e como País? Para quando o fim da impunidade?
Dom Vincenzo Paglia, Presidente do Pontifício Conselho para a Família
(ACI/EWTN Noticias).- Dom Vincenzo Paglia, Presidente do Pontifício Conselho para a Família no Vaticano, apresentou esta manhã no Escritório de Imprensa da Santa Sé o evento “De Milão a Filadélfia: as perspectivas do Pontifício Conselho para a Família”, no qual analisou-se os resultados do Encontro Mundial das Famílias em maio de 2012 nessa cidade italiana. Participaram também Francesca Dossi e seu esposo Alfonso Colzani, responsáveis pelo Serviço para as Famílias da arquidiocese de Milão.O Arcebispo recordou que esse acontecimento “demonstrou a força vital que as famílias representam na Igreja e na própria sociedade. Obviamente, há muitos problemas relacionados com o matrimônio e a família, mas não devemos esquecer que a família segue sendo o ‘recurso’ fundamental da nossa sociedade”.As estatísticas são unânimes em assinalar que a família se situa no primeiro lugar como foco de segurança, refúgio, de apoio para a vida e se mantém no topo dos desejos da grande maioria dos jovens. Na Itália, por exemplo, ao redor de 80 por cento dos jovens dizem que preferem o matrimônio (civil ou religioso) enquanto apenas 20 por cento opta pela convivência.Na França, as pesquisas indicam que 77 por cento quer construir sua vida familiar permanecendo com a mesma pessoa toda a vida. Por outra parte, a necessidade da família está gravada no coração humano, desde que Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só”.“Esta verdade profunda que marca tão radicalmente a vida humana parece ser espancada por uma cultura contrária. Há uma escalada ao individualismo que racha a família, assim como as diferentes formas de sociedade. Por isso, a ruptura da família é o primeiro problema da sociedade contemporânea”, indica Dom Paglia.O Prelado Vaticano, disse logo que “é certo que boa parte da história ocidental contemporânea foi concebida como libertação de qualquer laço: com outros, com a família, com a responsabilidade para o outro. E é igualmente certo que os laços, às vezes, oprimiram a subjetividade. Mas hoje a vertigem da solidão com o culto do eu, liberado de qualquer atadura e a desorientação provocada pela globalização acentúan ainda mais o individualismo e a tentação de fechar-se em si mesmos”. “A Igreja –prosseguiu– se preocupa com a crise que atravessam o matrimônio e a família, porque é consciente de que ambos são uma boa notícia, um evangelho para os homens e mulheres de hoje, freqüentemente sós e sem amor, sem paternidade, nem apoio.A Igreja, “perita em humanidade”, conhece também o alto preço da fragilidade da família pago sobre tudo pelas crianças (nascidas e não nascidas), os idosos e os doentes. Nas diversas épocas históricas houve mudanças, inclusive profundas, na instituição familiar, mas nunca se abandonou seu “genoma”, sua dimensão profunda, quer dizer, ser uma instituição formada por homem, mulher e filhos. Portanto, “urge uma atenta reflexão cultural e uma defesa mais vigorosa da família, para colocá-la –e rapidamente– no centro da política, da economia, da cultura, seja nos distintos países onde diferentes organismos internacionais, envolvendo também os crentes de outras tradições religiosas e as pessoas de boa vontade. É uma fronteira que toca os próprios fundamentos da sociedade humana. Daí o extraordinário interesse da Igreja sobre tudo neste momento histórico”. O Pontifício Conselho para a Família “sente a necessidade de ajudar tanto dentro como fora dos limites da Igreja a redescobrir o valor da família. Há um grande trabalho a ser feito no plano cultural: trata-se de restaurar o valor de uma cultura da família, para que esta volte a ser atrativa e importante para a própria vida e para a sociedade”. “Ocupar-se da família não significa restringir-se a um segmento da vida ou da sociedade: hoje significa ampliar os horizontes além de nós mesmos e decidir-nos a participar da construção de uma sociedade que seja ‘família’ em si mesma, até capacitar a ‘família’ dos povos e das nações”.Iniciativas do Pontifício Conselho para a Família. O Prelado concluiu a sua apresentação ilustrando as iniciativas que, ao longo deste ano e até o próximo encontro das famílias na cidade de Filadelfia (EUA), o Pontifício Conselho realizará, entre as quais destaca-se a apresentação da Carta dos Direitos da Família, –elaborada há trinta anos por esse dicasterio– na sede das Nações Unidas em Nova Iorque e Genebra e no Parlamento Europeu. Em abril começará uma série de seminários titulados “Diálogos para a família” em que os peritos de diferentes disciplinas abordarão questões relativas aos principais desafios relacionados com a família e o matrimônio. Em Roma, no fim de junho terá lugar um congresso internacional de advogados católicos, centrado nos direitos de família e, por último, em outubro, a assembleia plenária do Pontifício Conselho se centrará na Carta dos Direitos da Família. Nos dias 26 e 27 desse mesmo mês, por motivo do Ano da Fé, haverá uma peregrinação das famílias à tumba de São Pedro.