Fraccionar o sono aumenta a produtividade, mas coloca a saúde em risco
Escrito por cnaf
Quinta, 16 Maio 2013 16:07
Fraccionar o sono aumenta a produtividade, mas coloca a saúde em risco
Dormir oito horas por dia é o sonho de muita gente. Porém, existem aqueles que preferem passar menos horas a dormir e usar o seu tempo livre para trabalhar e criar. Estes são os adeptos do sono polifásico, termo utilizado para definir um padrão de sono diferente, onde o período de descanso é fraccionado e reduzido. A estratégia, usada por Amyr Klink nas suas viagens, por uma questão de sobrevivência, tem vindo a ser adoptada para aumentar a produtividade - o que pode ser arriscado para a saúde.
A maioria dos praticantes opta pelo estilo Everyman - dormem durante três horas e, durante o restante do dia, fazem três sestas de vinte a trinta minutos. Essa soma resulta em aproximadamente quatro horas a menos que as tradicionais oito, dos monofásicos. As demais opções do sono polifásico são Dymaxion (quatro sestas de 20 a 30 minutos por dia), Uberman (seis sestas de 20 a 30 minutos por dia) e Chase (duas horas de sono três vezes ao dia).
Um dos entusiastas do sono polifásico é o programador Gustavo de Sousa Lima, de 29 anos, que vive no Rio de Janeiro. Ele conta que descobriu este novo padrão de sono há pouco mais de um ano enquanto pesquisava sobre como conseguir mais tempo livre. «Quando era pequeno, lembro-me de ouvir na sala de aula algum professor falar de Michelangelo, Leonardo da Vinci, que eles não dormiam como as outras pessoas. Isso sempre interessou-me», diz.
O navegador Amyr Klink é lembrado sempre quando se fala em sono polifásico, mas ele próprio não conhecia a denominação: «Para alguém que pode dormir normalmente, eu não indicaria esta modalidade de sono. Apesar de achar interessante, tenho a certeza que não deve ser bom para a saúde».
O programador conta que é necessário ajustar-se a uma rotina de sestas para conseguir êxito. Ele segue o modelo Everyman, que considera o mais fácil. E frisa que é importante não ultrapassar 20 ou 30 minutos de sono, nem pular uma das sestas e aumentar a próxima, pois isso quebra o ciclo.
«No primeiro dia, não se consegue, no segundo melhora, porque está-se cansado. O corpo procura modos de sobrevivência, seja pela alimentação, por exercícios, condicionamento e adequação. Creio que sejam necessárias duas semanas para a adaptação total», conta ele, que criou uma página para calcular o sono polifásico.
A prática, no entanto, é condenada por médicos: «Pessoas que trabalham por turnos têm o seu sono fragmentado artificialmente e dormir em períodos diferentes não é bom para a saúde, isso porque a libertação de determinados hormonas e a regulação do metabolismo depende do ciclo circadiano», explica Eduardo Genaro Mutarelli, professor doutor do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina da USP e Supervisor do Ambulatório de Somatização do IPQ do hospital das Clínicas de São Paulo.
Para ele, o sono polifásico não é algo natural ou fisiológico e, sendo assim, prejudicaria a saúde da pessoa submetida a estas circunstâncias, levando a uma situação de stresse.